As tropas britânicas sofreram com as ISTs na Primeira Guerra Mundial

Além de infecções por doenças transmitidas por mosquitos, como a malária, e ter que lidar com as condições sanitárias precárias nas trincheiras, os soldados da Primeira Guerra Mundial foram o principal alvo de contaminação de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs, antes conhecidas como DST), na época chamadas de “doenças venéreas”. Estima-se que pelo menos 5% de todos os homens que se alistaram no Exército da Grã-Bretanha durante a guerra foram infectados.

As ISTs causaram cerca de 416.891 internações entre as tropas britânicas, sem considerar as readmissões por recaídas. Em meados de 1918, só na França e na Bélgica, haviam mais de 60 mil pessoas internadas por causa das “doenças venéreas”. Muito embora a doença “Pé de Trincheira” tenha simbolizado a miséria do conflito, um homem tinha cinco vezes mais probabilidade de contrair sífilis ou gonorreia.

De acordo com a lei militar britânica, não era crime contrair uma “doença venérea”, apenas a ocultação dela, porém os soldados hospitalizados foram penalizados por um sistema chamado de “paralisações hospitalares”. O objetivo era suspender o salário dos pacientes venéreos para cobrir os custos de seus tratamentos, bem como forma de punição, visto que o Exército britânico perdeu muito dinheiro erguendo hospitais e procurando medidas para tratamento.

Todos contra preservativos

(Fonte: Mother Jones/Reprodução)(Fonte: Mother Jones/Reprodução)

Como método de controle da doença, as autoridades aconselharam a castidade cristã ou o fornecimento de “instalações masculinas recreativas” (bordéis) para que os homens tivessem relações sexuais em um ambiente controlado por médicos que examinariam as prostitutas.

No entanto, em 1916, essa política se mostrou ineficaz, por isso a atenção mudou para o fornecimento de educação sobre saúde sexual, kits profiláticos para os soldados e centros de tratamento precoce para desinfecção após o sexo.

Contudo, houve uma “onda” de revolta por parte da sociedade conservadora, inflamada pela Igreja, que acreditava que assim o governo estava incentivando os homens a fazerem sexo de maneira desenfreada, uma vez que possuiriam métodos de prevenção.

(Fonte: Roads to the Great War/Reprodução)(Fonte: Roads to the Great War/Reprodução)

O mesmo aconteceu na Nova Zelândia, quando a enfermeira Ettie Rout se convenceu de que as “doenças venéreas” precisavam ser tratadas através da medicina, e não da moral. Em 1917, ela projetou e vendeu os kits profiláticos para as tropas, disseminando o uso através de uma carta aberta ao New Zealand Times, onde defendeu preservativos e bordéis limpos.

A oposição à opinião de Rout foi tão grande que seu nome foi proibido de surgir na imprensa sob pena de multa. Por outro lado, o governo neozelandês sancionou a distribuição gratuita dos kits para suas tropas. Em segredo, eles também estabeleceram o primeiro bordel para tropas neozelandesas em Paris em 1918.

(Fonte: Business Insider/Reprodução)(Fonte: Business Insider/Reprodução)

Enquanto isso, a moral dos britânicos só fez as doenças se proliferarem ainda mais, inclusive para outras partes do mundo. Negando os kits e beneficiando os homens, até o fim da guerra o governo manteve a legislação invasiva de que a polícia poderia examinar clinicamente as prostitutas suspeitas de estarem doentes, apesar dos protestos das sufragistas e ativistas morais.

Em 1918, os homens só assistiam palestras sobre saúde sexual e tinham acesso anônimo ao uso de “desinfetantes sexuais”. Nunca foram entregues preservativos.

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